Aqui em Salvador o carnaval parece uma febre; mexe com tudo e com todos. A imagem que me vem desta festa é da legião de pessoas sentadas, deitadas, nas beiras das calçadas esperando a festa começar para ganhar algum dinheiro. Só consigo fazer uma referência do carnaval baiano ao sistema do Apartheid: o acesso ao prazer nas mãos de poucos. O pior de tudo é que tentam nos convencer e seduzir com idéias de participação popular, felicidade sem limites dentre outras. Sinto-me tranqüilo em fazer tais comentários, pois já brinquei duas décadas no carnaval da Bahia. Sempre vi violência, ambulantes e cordeiros, mas parece que agora é mais evidente a distância econômica entre pretos e brancos (e os quase brancos); ricos e pobres. Não vejo o carnaval como um mosaico mais, mas sim como um sistema vigoroso de separação social.
Até a próxima!6 de fev. de 2008
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